Fórum Econômico Mundial lança estudo sobre comércio entre países

Hong Kong, Cingapura e Suécia lideram ranking que classifica economias de acordo fatores que facilitam importações e exportações. Brasil ocupa 80a, atrás de países como Azerbaijão e Uganda.
O Fórum Econômico Mundial lançou, no último dia 18 de junho, a primeira edição do “Global Enabling Trade Report 2008”, documento que traz uma análise de 118 economias mundiais e um índice que as classifica de acordo com fatores, políticas e serviços que contribuem para a facilitação do seu comércio internacional.
O objetivo do estudo, desenvolvido durante 2007, ao avaliar os obstáculos que entravam o comércio entre economias ao redor do mundo é construir uma plataforma para o diálogo multilateral no interesse de solucionar estes problemas e fomentar o desenvolvimento econômico internacional, explica o professor Klaus Schwab, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial.
O relatório apresenta um perfil econômico de cada país estudado e uma ampla seção de tabelas de dados, incluindo cada um dos indicadores utilizados na elaboração do “Enabling Trade Index”. Além disso, traz uma série de contribuições de especialistas e profissionais com conhecimento e experiência relevante na redução das barreiras ao comércio e ao desempenho comercial nacional.
Índice – Intitulado “Enabling Trade Index”, o índice é centro das atenções do documento e visa fornecer um instrumento estratégico para a medição de uma série de políticas relacionadas com aspectos que contribuem para dificultar o comércio entre países.
Segundo Albert L. Williams, co-editor do relatório e professor da Universidade de Harvard, o documento é de grande importância, em especial, para autoridades políticas de todo o mundo interessadas em aumentar os benefícios advindos das trocas comerciais entre países, pois ao integrar e comparar toda a gama de fatores que afetam o comércio fornece orientação sobre quais devem ser suas prioridades neste setor.
As análises que deram origem à classificação dos países foram divididas em quatro subíndices: acesso ao mercado, administração de fronteiras, infra-estrutura de transporte e comunicação e ambiente de negócios.
Cada subíndice é composto por 10 pilares:
1. As tarifas e barreiras não-tarifárias
2. Propensão ao comércio
3. Eficiência da administração aduaneira
4. Eficiência de procedimentos de importação-exportação
5. A transparência da administração das fronteiras
6. A disponibilidade e qualidade da infra-estrutura dos transportes
7. Disponibilidade e qualidade dos serviços de transporte
8. Disponibilidade e utilização das TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação 9. Ambiente regulador
10. Segurança física
Duas economias asiáticas, Hong Kong e Cingapura, ocupam as duas primeiras posições no ranking do “Enabling Trade Index”, seguidas pela Suécia, Noruega e Canadá. Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Suíça e Nova Zelândia completam a lista top 10.

De acordo com o estudo, os resultados resultam da abertura para o comércio internacional e dos investimentos de Hong Kong e Cingapura como parte da sua estratégia de desenvolvimento econômico bem sucedido. Ambos os países têm administrações aduaneiras consideradas altamente eficazes, são bem desenvolvidos, dotados de infra-estrutura dos transportes e das telecomunicações e de ambientes empresariais propícios para a indústria de logística e de transporte.
Os EUA ocupam o 14o lugar do ranking e têm como ponto forte um sistema de transporte e telecomunicações eficiente e barreiras tarifárias e não-tarifárias relativamente baixas. No entanto, apresenta elevados custos de importação.
Brasil – Com pontuação final de 3.3, em uma escala de 01 a 07, o país ocupa a 80a posição no ranking geral do “Enabling Trade Index”, uma das piores da América Latina, atrás de Chile (27a), Uruguai (56a) e Argentina (78a). Paraguai (83a) e Venezuela (115a) são os últimos. Entre os quatro grandes emergentes do mundo (Brics), o Brasil fica à frente apenas da Rússia (113a), enquanto China e Índia ocupam a 48a e 71a posições, respectivamente.
A maior pontuação do país foi no subindice administração de fronteiras, no pilar eficiência dos procedimentos de importação e exportação, que recebeu nota 4.6. De acordo com a opinião do coordenador executivo do Instituto Procomex, John Mein, esta avaliação demonstra que o trabalho que vem sendo feito nesta área por meio da parceria entre Governo e setor privado, com o auxílio da entidade, vem surtindo efeitos, mas também que ainda há muito a fazer como um todo.
No pilar eficiência da administração aduaneira, o Brasil foi avaliado com pontuação geral de 3.3 e, em comparação com os demais 117 países, está na 73a posição. As piores pontuações brasileiras foram nos subindices acesso ao mercado e infra- estrutura de transporte e comunicação, nos itens barreiras tarifárias e não tarifárias e disponibilidade e utilização das TIC, respectivamente, ambos com pontuação de 2.9.
No geral, o “Global Enabling Trade Report 2008” aponta que o Brasil ainda é considerado um país fechado ao comércio internacional, com tarifas e barreiras não-tarifárias que inibem as importações. O estudo completo pode ser conferido no site: http://www.weforum.org/en/initiatives/gcp/GlobalEnablingTradeReport/index.htm
Acesso rápido:
Ranking geral – Enabling Trade Index:
(http://www.weforum.org/pdf/GETR08/index_rankings.pdf) Highlights do documento:
http://www.weforum.org/pdf/GETR08/Highlights_EnablingTradeIndex_2008.pdf
Perfil econômico do Brasil:
http://www.weforum.org/documents/getr08_browser/index.html